A Bolsa de Valores de São Paulo em 2000

O ano de 2000 foi particularmente difícil para o mercado de ações brasileiro em razão da perspectiva de desaquecimento da economia norte-americana, que influenciou de maneira negativa seu mercado de ações, principalmente a Nasdaq (empresas ponto.com). Esta última, aliada a uma política monetária restritiva (juros altos), fizeram com que o mercado acionário nacional apresentasse um fraca performance no decorrer do ano que passou.

Os gráficos a seguir mostram o comportamento dos principais indicadores econômico-financeiros no ano de 2000.

 

REAL

Acumulado no ano

Bolsa (SP)

-18,8

CDB Anbid (Pré 30 dias)

3,14

DI (Extragrupo)

6,7

Poupança

-1,45

Ouro (Spot-BM&F)

-3,64

US$ Comercial (Ptax)

-0,59

US$ Paralelo

1,67

TR

-7,17

 

 

 

 

 

 

Perspectiva para o Mercado de Ações em 2001

Para o Brasil, o ano de 2001 inicia-se com perspectivas favoráveis para investimentos em fundos de ações. Entre as razões que podem ser levantadas para justificar tal tendência, destacam-se as seguintes:

a) Mesmo cenários conservadores para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apontam que este apresentará um nítido crescimento no futuro próximo. Para os anos de 2001 e 2002, um crescimento médio de mais de 4% a.a. não chegará a surpreender.

b) Apesar dos graves percalços ao longo de seis anos de Plano Real, pelos menos as autoridades monetárias obtiveram razoável credibilidade junto ao mercado quanto à sua capacidade de conter ataques especulativos e repiques inflacionários, inclusive porque contaram com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI) em momento providencial. Há uma boa chance de que as autoridades monetárias possam continuar a promover a queda gradativa da taxa de juros, de forma a não comprometer o controle da taxa de inflação e a atratividade do país para os capitais externos. A diferença entre a taxa de juros e a variação da taxa de câmbio, ao longo dos próximos anos, tende a permanecer em 8%, tal como aconteceu no ano passado. Ou seja, o preço do dólar comercial tende a não superar R$ 2,10 no final do presente ano.

c) A queda da taxa de juros, mesmo que gradual, diminui a rentabilidade das aplicações em renda fixa e incentiva a migração para as aplicações em renda variável.

d) Embora as maiores empresas se encontrem em fase de maturação dos programas de investimentos planejados a partir de 1996, as mesmas também se encontram, justamente por isso, em linhas gerais, financeiramente equilibradas. As análises fundamentalistas do desempenho das empresas se mostrarão, em grande parte, positivas.

e) Considerando que ocorra uma "aterrissagem suave" da economia dos EUA, o setor externo brasileiro tende a se beneficiar na medida em que um dólar não exageradamente enfraquecido estimule as exportações de bens e não prejudique o influxo de capitais.

Não se deve perder de vista, porém, as sombras do horizonte. Entre as quais:

a) Crescimento econômico não deve ser confundido com desenvolvimento econômico e social. Avanços lentos em educação, saúde e segurança tornam o país institucionalmente frágil. Excessiva concentração de renda limita a capacidade de expansão do mercado e trava as iniciativas empresariais.

b) Importantes reformas estruturais não foram completadas – tais como as reformas administrativa, tributária e previdenciária – e são suscetíveis a retrocessos. Há insegurança quanto à capacidade do estado em controlar suas contas públicas e conter o conflito federativo. A diminuição do "custo Brasil" ainda é um desafio para muitas gerações de brasileiros.

c) O mercado financeiro é extremamente dinâmico. A todo momento novos produtos, derivativos ou não, são oferecidos aos aplicadores. Inclusive, a atual política monetária trabalha para o fortalecimento dos mercados secundários de títulos públicos, o que é refletido na abdicação da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro como mercado de ações, optando por liderar o chamado projeto Sisbex.

d) Mesmo com a definição das opções eleitorais com o término da era FHC, há risco que um novo ciclo de planejamento de investimentos internos e externos se retarde tendo em vista a acumulação da dívida social do governo. O perigo de acomodação das empresas pode ser evitado se o projeto de estabilização da economia for substituído por um projeto claro de crescimento econômico.

e) Infelizmente, crashes nunca são facilmente previsíveis, como já aconteceram nos EUA e no Sudeste Asiático.

Além disso, também não podemos nos furtar de comentar que dizer que ações devem ser consideradas como investimentos de médio e longo prazo não significa que se deve comprar ações e "esquecê-las" na carteira. Muito pelo contrário. Investir em ações implica em vigilância acirrada sobre os preços, sobre a administração das empresas que as emitem e sobre a gestão dos fundos que especulam com elas.